ANTES:
No dia 21 de janeiro de 2008, meus pais, meus irmãos e eu partimos, às 6 da manhã, para a cidade de Brasília.
Estava escuro ainda, meio frio e caía uma chuva bem fininha que, claro, danificou o meu cabelo. Hahaha!
Numa parte do percurso, rezamos o terço para aquele dia, já que eu já estaria à bordo na hora em que habitualmente rezávamos.
Depois disso, ficamos cantando músicas do Mamonas Assassinas como sempre, hahahaha!
Uma hora- que não me lembro qual -, o sono tomou conta de mim que dormi que nem vi. Acordei já no estado de Goiás!
Lá o clima não mudou nenhum tico, aliás, estava bem mais frio que em Minas Gerais.
Eu desci do carro com um agasalho enorme do NY Knicks e com a maior cara de sono. Acho que as pessoas acharam que eu era alguma artista de TV disfarçada. Hahahaha! Pareciiiiia, sério!
Chegamos à Brasília ao meio-dia e poucos e fomos direto ao aeroporto. Ficamos mais de quarenta minutos tentando achar o aeroporto e, finalmente, achamos. Quando chegamos ao balcão da TAP Portugal, a moça disse que só abria para check in às 14h. Neste tempo, fomos ao banco para trocar o meu dinheiro por moeda nacional (nacional daqui, né). Aí foi maaaaais OUTRA ETERNIDADE. Ok. Às 14h estávamos já no check in. Na fila, conhecemos a Lúcia e o filho dela, André. Fiz o check in e fui para a casa da Tia Fatinha.
Como não sabíamos chegar lá, fomos aconselhados a ir para a Feira do Guará que lá ela nos buscaria. E buscou.
Fomos à casa dela, almoçamos e logo depois fomos comprar uma Havaianas pra criatura aqui que não trazia nenhum chinelo. Daí, ficamos pra assistir o filme que Malu tinha alugado. Opa! Malu não, Pri. Desculpe-me, Luca. Mas a sua mãe tem um péssimo gosto para filme, era horrível. Tanto que nem acabei de ver, fui tomar banho, porque a ansiedade já tomava conta de mim.
Saímos da casa da tia às 17h e alguns minutos. De lá até o aeroporto foram 15 minutos. Corri novamente para o balcão da TAP Portugal. A fila não estava muito grande (duas pessoas à minha frente), mas devido à incompetência da atendente, probleminhas que poderiam se resolver em 20 minutos, se prolongaram e prolonagaram. Quando fui ser antendida, faltavam apenas 20 minutos para o meu vôo. Nota: Vou reclamar isso com a compania, tá, fofa?
Eu, juntamente com o resto dos meus familiares que não tinham a menor paciência para a calma fora de hora da mulher, quase enforquei a sujeita. Mas consegui chegar à sala de embarque.
Antes, teve um choro básico, mas tudo bem. Entrei. O cara pediu a minha autorização para viagem desacompanhada. Quase morri! :O
- Moooço! Mas eu tenho 18, precisa?
- Aé, você tem 18. Acabei de ver. Boa viagem.
Na sala de embarque, sentei numa cadeira vazia em meio a uma multidão de desconhecidos que viajariam comigo. Já, em meio às lágrimas, avistei a Lúcia, a moça da fila do check in. Fiquei conversando com ela e com o André. A conversa me deixou uns 98% mais tranqüila.
ON BOARD:
Embarcamos com 35 minutos de atraso por conta de dois energúmenos que não chegavam de jeito maneiro!
Minha família, aflita, sem saber o que estava acontecendo, esperava a decolagem lá de pé. Tanto que Malu teve tempo de sobra pra tirar fotos. Como esta aqui ao lado.
No avião, estava na poltrona 23A, janelinha.
Mas a Lúcia tinha ficado com a 12B e o André com a 12A. Antes que eu dissesse "Graças a Deus! Ninguém ao meu lado!", um gordinho com cara de gente boa, mas chata ao mesmo tempo, sentou-se ao meu lado.
Por sorte, uns 5 minutos depois, a Lúcia apareceu e disse que as poltronas atrás dela estavam vazias, pra eu me sentar lá, caso precisasse de algo. Fui.
Se a Lúcia não estivesse lá na frente, me tranqüilizando em relação à chegada aqui, às coisas que eu deveria saber, me explicando tudo, eu ter sentado lá não me valeria de nada.
Uma filha de Deus nascida no estado de São Paulo estava sentada na poltrona imediatamente atrás da minha. Olha, tudo bem que eu converso pelos cotovelos, mas aquela mulher, MY GOD! Era uma máquina de palavras! 100 por segundo! E o colega de poltrona dela não ficava para trás!
Falar, falar e falar, tudo bem... Só que, quando eu penso que não... A mulher tá com o pé quase em meu rosto! 0o"
Aí não! Levantei e disse: "Ô, moça! Você está invandindo o meu espaço".
Ela olhou com a maior cara de desentendida e disse, com um dos tons que mais me irritam na vida que é o de deboche: "Quêêê?", parecendo uma gralha.
"Não entendeu? Você está no meu espaço. Contente-se com o seu, que é apenas a sua poltrona, não a minha e a sua".
A mulher ficou sem jeito, mas tirou o pé, beleza...
Teve o jantar, vi uns filmes chatééééérrimos, ouvi umas músicas legais e deu sono, fui tentar dormir.
Quando estou naqueeela cochilada má-rá-vi-lhó-sa, sinto joelhadas em minha poltrona. "Não é possível", pensei. Voltei a me concentrar no meu sono que era o mais importante. Daí, de novo.
Já fui me irritando, mas... Só parto pra cima na terceira. Esperei a terceira, que veio mais rápido do que eu imaginava: "Não! Só pode ser marcação! Primeiro você quase coloca o pé no meu rosto e agora fica empurrando a minha poltrona? Se você quer dormir, eu também quero"!
Desta vez ela poupou os meus ouvidos daquela voz insuportável e só recolheu as pernas. Uma coisa que eu não entendi foi a cara de indignada dela, como se EU estivesse errada!
Whatever, gente sem-vergonha não toma termo nem depois de esporro. A mulher continuou a empurrar, e eu? "Meu Deus Amado, meu Deus Vivo, meu Deus Querido, carrega o meu coração de paciência, porque, caso o Senhor me dê força, eu parto a cara dessa mulher"!
Meu Deus me atendeu, daí eu dormi.
Acordei umas horas depois e corri para o banheiro. O jantar, aparentemente delicioso, não desceu muito bem aqui não. Vomitei tudo e voltei por meu lugar como se nada tivesse acontecido.
Pra evitar mais transtornos com o meu estômago ou até coisa pior que vômito, não comi o que eles ofereceram no café-da-manhã.
CHEGADA EM LISBOA:
Depois dos horrores com a comida ON BOARD e com a paulista sem noção alguma de educação e limites, fiiiinalmente consegui desembarcar em terra lusitana. Eram seis e pouca da manhã e fazia 10ºC. Eu tava assim, deslumbrada! A cidade à noite é maravilhosa! Ainda mais do ângulo em que eu a vi.
Só que aqui é como em outros países e filmes que a gente vê: Ao invés de você seguir por aquele corredor ligado ao avião, você desce do avião e pega um microônibus até o saguão de desembarque e segue por uma fila aode fica a imigração.
NA IMIGRAÇÃO:
Quando nosso avião aterrizou, mais outro avião de um país da África que fala inglês (péra! pode ser Jamaica ou Haiti!) também aterrizou. Só que a galera do nosso avião ficou na maior enrola pra entrar no microônibus. O que deu? Chegamos depois e tivemos que esperar o pessoal todo passar pela imigração pra chegar nossa vez. Eu era a primeira após o pessoal do outro vôo.
- Passaporte.
Vai para onde, Mariana?
- Aveiro.
- E quem tens lá em Aveiro?
- Um primo português. (ê, mentira!)
- Quantos dias vai ficar?
- Oito. (mentira da grossa!)
- O fazes no Brasil?
- Estudo.
- Tens dinheiro?
- Sim.
- Quanto?
- 500 €
POF! [CARIMBO]
- Podes buscar tua bagagem.
NO AEROPORTO:
O aeroporto de Lisboa é umas 4x maior que o de Brasília.
Pra chegar em minha bagagem andei pelo menos uns 10 minutos. Daí, quando cheguei lá, esperei a Lúcia e o André. Tinham duas saídas: MERCADORIAS A DECLARAR e NADA A DECLARAR.
Fiquei cabreira, pois pra mim, se tá vermelho, tem coisa errada! Então... Melhor esperar a Lúcia mesmo. Ela demorou um pouco, mas logo que chegou fomos para os taxis. Despedi-me da Lúcia e ela me deu o telefone dela, caso eu precisasse de algo. Um anjo que Deus colocou no meu caminho. Falando nisso, preciso ligar pra ela.
NO TAXI:
Um moço bem simpático, gordinho, com a maior cara de português logo pegou a minha mala e colocou no taxi dele. Muitas pessoas tinham me alertado: "Não use o seu idioma, fale em inglês com todos". E quando indiquei que o ser senhor taxista deveria ir para a Gare do Oriente, imprimi a maior quantidade de sotaque possível.
Daí, ouço a música Boa Sorte, da Vanessa da Mata. Quando me dei conta, já estava cantando a música... EM PORTUGUÊS! (Vaciiiilo!) E o moço: Gostas de Vanessa da Mata?
E dessa parte pra frente, vocês já podem imaginar, né?
Perguntou milhares de coisas que eu respondi com mentiras. Afinal, que teria um desconhecido a ver com minha vida? Isto os brasileiros herdaram.
NA GARE DO ORIENTE:
O moço do taxi foi gentil e tudo mais, porém... Moço! Qual é! 10€ pra me levar tão pertinho? Quer dizer, 8,50€, os 2,50€ foi gorgeta... Pro teu café.
Bom, chegando lá, corri pro piso dois, que é onde vendem os bilhetes, segundo havia me informado o moço do taxi. Ele me disse também, que o trem para Aveiro saía às oito. E sabe a que horas comprei meu bilhete?
07:58! Corri feito uma barata tonta em volta da mala absurdamente pesada e cheguei ao seguinte dilema: Ou eles são burros ou sempre viajam com pouca bagagem.
Conclusão: São burros, pois não devem pensar só neles. Não são os únicos à usar a estação!
Fato: Os energúmenos não construíram escada rolante ou elavador que levasse até a plataforma de embarque. Resultado: Lá vai eu subindo uma escada de mais de 100 degraus puxando a mala e, quando faltavam uns 6 degraus, um moço viu meu desespero e resolveu me ajudar.
Este mesmo moço me disse que o trem não era às oito e sim às 08:09 (ai, se eu tivesse tempo pra ler o bilhete!). Tempo suficiente para eu descobrir que a minha plataforma era a lá da frente! Corri mais um tico e pronto.
Mal tinha descansado, olha o que eu avisto?
Meu trem! Aí... Adivinhem comigo? Quem aparece? O moço da escada, o moço do bilhete! Ele me ajudou a colocar a mala no trem, porque, se dependesse de mim, eu cairia com mala e tudo naquele vão entre a plataforma e o trem.
Agradeci umas 67857832539625731373545867546 vezes e coloquei a minha mala num lugar em frente à porta de desembarque.
NO TREM:
Como eu disse, minha bagagem ficou na porta e eu, eu fiquei lá mais pra trás, porém, no mesmo vagão. Esquecida de que me encontrava no primeiro mundo, a cada cinco minutos eu olhava para ver se a mala estava lá. E estava. Quando chegou na terceira estação, parei de me preocupar com a mala e fui admirar a paisagem e rezar o terço daquele dia. Sabe aqueles cenários de Europa mesmo que só vemos em filmes? É tudo verdade.
NA ESTAÇÃO:
Com o ouvido pra lá de ligado no que a mulher falava, é claro. Mas teve uma coisa: Parecia que ela falava algo parecido com grego ou sei lá. Não entendia lhufas do que ela dizia (ou tentava dizer). Estava com medo de perder a estação, mas tão relaxada com a paisagem que, quando ela disse Aveiro, levantei num pulo, como se tivesse acordado!
Mais uma vez, a mala empacando o meu caminho, owgod!
Desta vez, tinha um moço meio japa, ou china, ou coréia, sei lá... E ele me ajudou.
Quando finalmente desci do trem, o moço levou a minha mala até mais longe, quase até a saída da estação. Pedi um auxílio para um telefone público próximo. O moço me disse.
Quando estava saindo da estação em direção aos telefones, ouço o grito da minha tia: "Mariaaaaaana!"
Segundo elas, meus pais já estavam aflitos no Brasil sem notícias minhas. Eu disse que eles disseram pra eu me virar e eu me virei. Saí sozinha de Brasília à Aveiro e cheguei inteira, sem machucados e tudo mais. E acham que acabou por aqui?
NO ÔNIBUS:
De Aveiro até Gafanha da Boa Hora só existem dois meios de transportes possíveis com aquela mala tão pesada: Carro ou ônibus. A minha tia (Valéria) ainda está fazendo Aula de Códigos (vulgarmente conhecida no Brasil como Aula de Legislação) e aqui, como todo país de respeito, as pessoas só podem dirigir com habilitação, pois a fiscalização é pesada! Solução? BUSÃO!
Esperamos um busão em frente à estação de Aveiro. Destino final: Praia da Mira.
Durante a looooonga viagem de 35 minutos, hahaha. Eu fui percebendo ums coisas do país e as mais curiosas são: a) Eles odeiam estrangeirismos, porém, na placa de PARE está escrito STOP e na placa de ESTACIONAMENTO tem um P, de PARKING; b) em todas as casas tem um pé de laranja, que mais parece um pequi sem casca, hahahaha; c) as placas (dos carros) não possuem lógica alguma, não ao meu ver de recém-saída-de-país-subdesenvolvido; d) carro velho aqui? um em mil; e) os carros por aqui andam à 100 km/h... Em zonas residenciais. Nas estradas, à 300; f) a faixa de pedestres aqui é de PEDRESTRE. São altas e feitas de pedrinhas que nem as usadas na calçada da Praça Cariris.
E foi isto.
Logo que cheguei fui ultra bem recebida pelas velhas fofoqueiras e entronas da cidade com um abraço tão apertado que quase me fez vomitar (mais ainda!) e fui para o aconchego de meu NOVO LAR!
Mais informações? Depois de amanhã! Tenho que dormir, amanhã tem outra viagem!
Beijo, Brasil! :*